domingo, 3 de fevereiro de 2013

PENSANDO SOBRE O FACEBOOK


Em um livro de Isaac Azimov, ele descreve um planeta chamado Solaria, em que os habitantes não fazem mais contato físico uns com os outros. Comunicam-se apenas através de hologramas e possuem robôs, de diversas formas e características, para atenderem às necessidades humanas, inclusive de afeto.
Qualquer paralelo com o que vivemos hoje é óbvio.
Possuindo uma página curtida até esse momento por mais de 35.000 pessoas, ao mesmo tempo em que me sinto super envaidecida, agradecida e encantada, tenho que, como ser humano, tomar cuidado com o meu ego e o meu entendimento disso tudo.

Por exemplo, o fato da página não estar funcionando direito há vários dias, faz com que se pense como é etérea, meio intangível, essa estória toda.
E se o Facebook resolver me travar?

Reconheço minha falta de compreensão real do que isso significa. Sou uma “imigrante digital” e não uma nativa, nascida e criada nesse contexto.
Tenho que pensar um bocado. Como me relacionar com tudo isso?

Hoje, por exemplo, dando uma geral no meu computador, descobri mais de 10 programas de controle à distancia, em russo, chinês, árabe e  sei lá mais que outras línguas de letrinhas impossíveis. 
Ou seja, sabemos que nem todo o mundo é bem intencionado. Óbvio!
Tenho que me proteger!

(Ao publicar agora esse texto, percebi que as palavras computador e outras estavam sublinhadas e haviam se tornado links para sites de relacionamento. Não sei como isso aconteceu e vou passar uns dias tentando descobrir. Reescrevi , mas não sei se vão aparecer para vocês. Não fui eu que coloquei!!! Olha só como são as coisas!)

Mas tem uma coisa desconcertante: é impossível não desenvolver um certo tipo de afeto pelas pessoas que participam ativamente da página. 
Ao mesmo tempo, é tão estranho pensar que você nunca viu essas pessoas de verdade!
E tem tanta gente bacana! Deve ter tanta gente muito legal!!

Fico pensando que o lado positivo dessa estória toda é que, em primeiro lugar, não temos robôs, então vamos ter que nos virar com os humanos mesmo...
E, brincadeiras à parte, o Facebook se torna uma espécie de “test-drive” para relacionamentos. De todos os tipos: amizades, namoros, encontros, reencontros com pessoas do passado, o que for. 
Não propriamente para encontrarmos relacionamentos, mas para podermos ver melhor o nosso próprio comportamento em um relacionamento, com uma ou 35.000 pessoas.

O que se escreve é o que se é realmente? Sim, não... Acho que de tudo um pouco.
Mesmo o que não se é, pode ser um “gostaria de ser”. O que acaba sendo o que se é, de qualquer forma.
Nós mesmos, depois de escrevermos uma mensagem ou post, podemos ler de novo e sentir o que foi passado. Não dá para dizer: eu não falei isso. 
Falou sim, está lá escrito. E aí?
Então depois de uma primeira fase de Facebook falando muito, a gente acaba entrando numa fase de falar pouco, para não ter o que “desdizer”. E aí, acabamos de certa forma esperando novamente por encontrar as pessoas do mundo real, aquelas que você pode procurar e que te procuram de verdade, no mundo real.

E vamos girando nessa espiral. A vida dá voltas, mas a ideia é que, na próxima volta, estejamos num ponto de entendimento um pouquinho acima.
A vida vai sempre seguir.
Se ficarmos a margem, ela não vai esperar por nós.

E vamos errar nuns dias e acertar noutros. 
Pessoalmente, virtualmente, telepaticamente, energeticamente ... Seja lá como for.
Mas podemos pensar que temos uma pequena vantagem agora, que é poder reler o que foi dito e acertar na próxima vez.
Ou errar de novo, com mais convicção.

Bjsbjs, queridos,
Claudia