Em um livro de Isaac Azimov, ele descreve um planeta chamado Solaria, em
que os habitantes não fazem mais contato físico uns com os outros. Comunicam-se
apenas através de hologramas e possuem robôs, de diversas formas e
características, para atenderem às necessidades humanas, inclusive de afeto.
Qualquer paralelo com o que vivemos hoje é óbvio.
Possuindo uma página curtida até esse momento por mais de 35.000 pessoas, ao mesmo
tempo em que me sinto super envaidecida, agradecida e encantada, tenho que,
como ser humano, tomar cuidado com o meu ego e o meu entendimento disso tudo.
Por exemplo, o fato da página não estar funcionando direito há vários
dias, faz com que se pense como é etérea, meio intangível, essa estória toda.
E se o Facebook resolver me travar?
Reconheço minha falta de compreensão real do que isso significa. Sou
uma “imigrante digital” e não uma nativa, nascida e criada nesse contexto.
Tenho que pensar um bocado. Como me relacionar com tudo isso?
Hoje, por exemplo, dando uma geral no meu computador, descobri mais de
10 programas de controle à distancia, em russo, chinês, árabe e sei lá mais
que outras línguas de letrinhas impossíveis.
Ou seja, sabemos que nem todo o mundo é bem intencionado. Óbvio!
Tenho que me proteger!
(Ao publicar agora esse texto, percebi que as palavras computador e outras estavam sublinhadas e haviam se tornado links para sites de relacionamento. Não sei como isso aconteceu e vou passar uns dias tentando descobrir. Reescrevi , mas não sei se vão aparecer para vocês. Não fui eu que coloquei!!! Olha só como são as coisas!)
Tenho que me proteger!
(Ao publicar agora esse texto, percebi que as palavras computador e outras estavam sublinhadas e haviam se tornado links para sites de relacionamento. Não sei como isso aconteceu e vou passar uns dias tentando descobrir. Reescrevi , mas não sei se vão aparecer para vocês. Não fui eu que coloquei!!! Olha só como são as coisas!)
Mas tem uma coisa desconcertante: é impossível não desenvolver um certo
tipo de afeto pelas pessoas que participam ativamente da página.
Ao mesmo tempo,
é tão estranho pensar que você nunca viu essas pessoas de verdade!
E tem tanta gente bacana! Deve ter tanta gente muito legal!!
Fico pensando que o lado positivo dessa estória toda é que, em primeiro
lugar, não temos robôs, então vamos ter que nos virar com os humanos mesmo...
E, brincadeiras à parte, o Facebook se torna uma espécie de “test-drive”
para relacionamentos. De todos os tipos: amizades, namoros, encontros,
reencontros com pessoas do passado, o que for.
Não propriamente para encontrarmos
relacionamentos, mas para podermos ver melhor o nosso próprio comportamento em
um relacionamento, com uma ou 35.000 pessoas.
O que se escreve é o que se é realmente? Sim, não... Acho que de tudo
um pouco.
Mesmo o que não se é, pode ser um “gostaria de ser”. O que acaba sendo
o que se é, de qualquer forma.
Nós mesmos, depois de escrevermos uma mensagem ou post, podemos ler de
novo e sentir o que foi passado. Não dá para dizer: eu não falei isso.
Falou
sim, está lá escrito. E aí?
Então depois de uma primeira fase de Facebook falando muito, a gente
acaba entrando numa fase de falar pouco, para não ter o que “desdizer”. E aí,
acabamos de certa forma esperando novamente por encontrar as pessoas do mundo
real, aquelas que você pode procurar e que te procuram de verdade, no mundo real.
E vamos girando nessa espiral. A vida dá voltas, mas a ideia é que, na
próxima volta, estejamos num ponto de entendimento um pouquinho acima.
A vida vai sempre seguir.
Se ficarmos a margem, ela não vai esperar por nós.
E vamos errar nuns dias e acertar noutros.
Pessoalmente, virtualmente, telepaticamente, energeticamente ...
Seja lá como for.
Mas podemos pensar que temos uma pequena vantagem agora, que é poder
reler o que foi dito e acertar na próxima vez.
Ou errar de novo, com mais convicção.
Bjsbjs, queridos,
Claudia